Sabe aquele comentário que você fez sobre cortar o cabelo e a quantidade de publicidade que você recebeu logo depois sobre o tema? Percebeu como o Instagram descobriu exatamente o seu gosto por sapatos e comidas? E o Facebook, que não para de indicar sua terapeuta nas sugestões de amizade? Ou aquela notícia falsa que chega aos grupos do zap e que quase te enganou? O que essas coisas têm em comum?

Para se tornar mais atraentes e captar nossa atenção, cada vez mais as tecnologias que utilizamos na internet (e fora dela) extraem nossas informações pessoais e transformam esses dados numa mina de ouro. Eles são a base para saber como mostrar a publicidade que mais nos chama a atenção ou para determinar outras maneiras de nos exibir conteúdos de forma a moldar, gradualmente, padrões, gostos e condutas, muitas vezes indo contra o que acreditamos e até mesmo nos colocando em risco. Mais do que nunca, é necessário entender como essas tecnologias funcionam e a serviço de quem elas trabalham.

Em junho, fizemos parte da série “Tecnologias e Artes em Redes: Tecnologias Livres”, do Sesc Pompéia, em São Paulo.

Por isso, na Oficina Driblando o Chupadados: segurança e privacidade na rede, nós da Coding Rights falamos sobre como funciona a internet e como podemos tomar o poder das tecnologias a nosso favor para moldar nossa privacidade e segurança online, resgatando nossa autonomia. A oficina, que encerrou a programação do Tecnologias Livres, aconteceu em junho no Sesc Pompéia. 

A Coding Rights é uma organização dirigida por mulheres que trabalha desde 2015 para expor e corrigir os desequilíbrios de poder embutidos na tecnologia e sua aplicação, particularmente aqueles que reforçam as desigualdades de gênero. Realizam pesquisas multidisciplinares para hackear políticas públicas a fim de reforçar os valores dos direitos humanos nos usos das tecnologias.