Projeto “Chupadados” explica como o funcionamento de aplicativos e outras tecnologias que usam nossos dados têm impacto – às vezes, negativo – nas nossas vidas

Quem pode monitorar todos os ônibus que pegamos, para onde e com quem? Câmeras de segurança pública podem apontar para dentro de nossas casas? Nosso celular é mesmo um espião de bolso? Preços de passagem de avião podem variar de acordo com quem está visitando um site? Perfis em redes sociais podem influenciar nosso acesso à crédito, o preço do nosso aluguel ou mesmo de um seguro qualquer? Sabemos que há uma enorme quantidade de dados que são coletados diariamente. Também sabemos que esses dados servem para empresas e governos, mas não sabemos ao certo como são utilizados.

O projeto “Chupadados – a face oculta das nossas tecnologias de estimação” reúne histórias de Brasil, Argentina, México, Colômbia e Chile sobre como equipamentos e serviços tecnológicos têm sido usados na América Latina para coletar, armazenar e processar dados em 4 esferas da vida (cidades, casas, bolso e corpo). As narrativas trazem evidências de que dados gerados por atividades cotidianas, como navegar na internet, usar cartões de transporte, aplicativos de monitoramento do ciclo menstrual e fazer transações bancárias, estão sendo utilizados para nos enquadrar em categorias, diferentes perfis, usados para expor, segregar e até mesmo ameaçar oportunidades na vida de todos nós.

A série de narrativas será lançada no próximo dia 30 na plataforma chupadados.codingrights.org. O projeto é uma iniciativa da Coding Rights, uma Think-and-Do tank liderada por mulheres dedicadas a promover a compreensão sobre o funcionamento de tecnologias digitais e expor as assimetrias de poder que podem ser ampliadas por seu uso.

Porque não falamos sobre isso?
Por um lado, todos amamos inovações trazidas pelas novas tecnologias, afinal, elas são uma imagem do futuro. Além disso, por serem baseadas em modelos matemáticos, as soluções que apontam são vistas como neutras, objetivas e legítimas.

“Nem boas, nem ruins, assim como uma faca pode ser usada para cozinhar ou assassinar, as tecnologias digitais são ferramentas. Dependem de quem as desenvolve e utiliza, diz Joana Varon, pesquisadora e diretora executiva da Coding Rights.

Na maioria das vezes elas são desenvolvidas por um grupo restrito de pessoas, normalmente homens americanos do Vale do Silício, e fazem parte de modelos de negócios e estratégias de controle de empresas e governos, portanto, podem gerar assimetrias de poder e ampliar desigualdades econômicas e sociais, de gênero, raça ou classe.”

Com o projeto “Chupadados”, a Coding Rights quer incentivar que empresas e governos adotem melhores práticas de proteção aos Direitos Humanos na criação e regulação de tecnologias, e que as pessoas possam saber o que de fato está em jogo e optar. Isso é especialmente urgente no Brasil porque somos o único país da América Latina em ainda não existe regulamentação específica para isso.

Os 4 eixos narrativos do “Chupadados”:

Cidade: Do sistema de transporte ao legado de vigilância no Rio após as Olimpíadas – a Coding Rights observou os investimentos e usos de tecnologia como balões, drones, óculos de reconhecimento facial, bem como quem se beneficia com a integração de bases de dados entre o setor público e privado, em especial, as empresas de transporte.

Casa: Em breve

Bolso: Em breve

Corpo: “Menstruapps, a menstruação que dá dinheiro – para os outros” – a Coding Rights pesquisou e comparou os principais aplicativos de ciclo menstrual no Brasil e no mundo para identificar quais dados são coletados, quais são suas políticas de segurança e privacidade e qual o impacto deste monitoramento na vida das mulheres.

Concepção e coordenação do projeto

Joana Varon é fundadora da Coding Rights, onde atua como Diretora
Executiva, pesquisadora e treinadora de segurança digital.

Natasha Felizi é coordenadora de projetos na Coding Rights.

 

Material de comunicação:

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